Poemas Completos de Alberto Caeiro – XLI 7/5/1914

No entardecer dos dias de verão, às vezes,

Ainda que não haja brisa nenhuma, parece

Que passa, um momento, uma leve breisa…

Mas as árvores permanecem imóveis

Em todas as folhas das suas folhas

E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,

Tiveram a ilusão do que lhes agradaria…

 

Ah, os  sentidos, os doentes que vêem e ouvem!

Fôssemos nós como devíamos ser

E não haveria em nós necessidade de ilusão…

Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida

E nem repararmos para que há sentidos…

 

Mas graças a Deus que há imperfeição no mundo

Porque a imperfeição é uma coisa,

E haver gente que erra é original,

E haver gente doente torna o mundo engraçado.

Se nãoo houvesse imperfeição, havia uma coisa a menos,

E deve haver muita  coisa

Para termos muito que ver e ouvir

(Enquanto os lhos e ouvidos se não fecham)…

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